Enquanto as semanas de moda, carioca e paulistana, agitavam o universo fashion brasileiro, Gisele Bündchen (31) se dedicava a uma causa nobre. Em visita ao Quênia, na África, a übermodel mergulhou na realidade de comunidades carentes e se comoveu com o cenário que encontrou. “É
a primeira vez que venho ao país, e conhecer esses locais me ajudou a
ver quanta coisa precisa ser mudada no mundo. Presenciei o dia a dia de
pessoas que vivem em condições precárias e me senti pequena diante de
tal situação”, desabafa a gaúcha, que além de participar de
conferência sobre o uso sustentável de energia elétrica, incluiu no tour
paradas na capital, Nairóbi, e em Kibera, maior favela do continente
africano.
Em sua primeira missão como embaixadora da Boa Vontade pelo Programa das
Nações Unidas para o Meio Ambiente — UNEP, sigla em inglês —, por onde
passou Gisele fez o alerta sobre a importância da preservação do
planeta. “Boa parte da energia consumida em minha casa é gerada por
painéis solares. Além disso, uso lâmpadas mais eficientes e econômicas.
Qualquer pequeno cuidado no dia a dia para não desperdiçar energia é
importante”, fala ela, radicada em Boston com o filho, Benjamin (2), e o amado, o astro do futebol americano Tom Brady (34).
Os valores que a top transmitiu aos quenianos também são adotados na educação do herdeiro. “Ele
aprende brincando, seja com livros ou jogos. Estar em contato com a
natureza também é importante e acredito que a melhor maneira de ensinar é
dando o exemplo”, conta Gisele, que estende os ensinamentos ao enteado, John (5). “Os meninos têm uma relação de cumplicidade e, como todo caçula, Benjamin admira muito o seu irmão”, revela a beldade.
– Como concilia a vida familiar com os trabalhos?
– A minha família vem em primeiro lugar e o trabalho faz parte da minha
vida. Tento conciliar da melhor maneira possível, sempre procurando um
equilíbrio. Espero que no futuro possa, cada vez mais, conciliar o
trabalho com meus valores e ideais. Tenho vários sonhos e trabalharei
para torná-los realidade.
– E você já procura ensinar esses valores a Benjamin?
– As crianças de hoje vão crescer em um ambiente com mais acesso a
informação e irão aprender desde pequenas a importância de cuidar do
planeta. Assim como eu, Tom também faz o melhor para ser um exemplo para
o Benjamin.
– Pensam em ter mais filhos?
– Adoraríamos ter mais filhos no futuro. A criança que vier vai ser muito amada e bem-vinda.
– O que destaca da viagem?
– Eu tive a grande oportunidade de visitar diferentes lugares, aprender
mais sobre as diversas realidades e ver de perto o quanto a falta de
energia afeta este país. Para mim, é inimaginável que, em pleno século
21, mais de 1,3 bilhão de pessoas não tenham acesso à energia elétrica.
– Como foi vivenciar uma realidade tão distante da sua?
– Conhecer de perto a dura realidade do povo africano me deu ainda mais
força para continuar fazendo o que estiver ao meu al cance para ajudar a
tornar o mundo melhor e mais justo.
– Você participou de uma coleta de lenha, como foi?
– A rotina dessas mulheres é dura e as oportunidades são limitadas. A
maior parte do dia delas é focado apenas em sobreviver. Foi importante
para mim poder ajudar o grupo a coletar e carregar a lenha, pois pude
sentir na pele, mesmo que só por um dia, um pouco do que elas enfrentam
diariamente.
– Tais diferenças obrigam a refletir sobre a humanidade?
– Precisamos rever alguns valores, sim, e nos voltarmos para dentro de
nós mesmos para entender o que é realmente importante na vida. Seja na
África, no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo, há pessoas
vivendo em condições mínimas de sobrevivência e elas precisam de ajuda.
– Como foi o contato com os animais locais? Sentiu medo?
– Visitei um centro de proteção às girafas e um abrigo para elefantes
órfãos. Foi incrível ver que animais tão grandes e, aparentemente tão
perigosos, podem ser dóceis e amáveis. Ouvi algumas histórias tristes,
como a de elefantinhos que perdem suas mães, mortas por causa do
contrabando de marfim que é utilizado como artigo de decoração. Mas
também foi fascinante ver como os elefantes mais velhos cuidam e
protegem os menores. A natureza é sábia e temos muito o que aprender com
ela.
– Qual o maior aprendizado que trouxe da viagem?
– Precisamos sair da bolha em que vivemos e despertar para o mundo. Há
poucas pessoas privilegiadas como nós e precisamos olhar ao redor e
ajudar a mudar a situação daqueles que não tiveram as mesmas
oportunidades. Fiquei esperançosa de ver que, em cada uma das
comunidades que visitei, havia líderes que estão se mobilizando para
mudar a situação em que vivem. Percebi o grande orgulho que essas
pessoas têm de pertencer à comunidade e ajudar a melhorar a realidade.
– O fato de ser uma pessoa pública aumenta a sua responsabilidade com a questão?
– Sinto esta responsabilidade, pois acredito que, se as pessoas tiverem
a informação, elas poderão agir de forma mais consciente e ajudar a
mudar a realidade do mundo. Afinal, estamos todos juntos nessa jornada.
Esse é o nosso planeta e, juntos, podemos criar uma nova realidade.
– E como contribuir de forma efetiva para essas mudanças?
– O primeiro passo é procurar informação para poder ter atitudes mais
conscientes. Não desperdiçar energia e água, além de reciclar materiais.
É a velha história da andor inha que, sozinha, tentava apagar um
incêndio na floresta e, assim, despertou a curiosidade dos outros
pássaros, que passaram a ajudá-la. Cada pessoa representa uma gota
d’água e, se cada um fizer a sua parte, faremos a diferença no mundo.
– O que espera de 2012?
– Que seja um ano de mudanças, que possamos abrir nossos corações e caminhar juntos na busca de um futuro melhor.
by revista Caras
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